top of page

Da série "Nova Fase":

cacho de uvas maduras
cabelos de espiga de milho

Lá fora.
Olhei para ele.
Ele olhou para mim.
Ainda estava verde.
Apenas folhas.
Deixei-o por algum tempo;
Assoberbada com outros afazeres.
Um dia, olhei pela janela.
Lá estava ele.
Carregado de flores brancas.
Bem mais tarde no tempo...
Os grãos maduros. Vermelhos.
Prontos para a colheita.
Doces frutos. Aroma da infância.
Lembranças de uma vida, contidas na peneira do tempo.
Do coador exala o perfume e a xícara fumegante,
Me leva até ele.
Reverencio seu poder, sua força e me curvo solene.
Diante deste nobre Senhor. 
Cafeeiro.

Edna Vezzoni

Cabelos libertos.
Bailando.
Todas em sincronia.
Na regência dos ventos
Madeixas de fogo
Acompanhando o vergar dos troncos foleados.
Entre o ir e vir do ser, nas leiras enluaradas do campo.
Espigas de milho.

Edna Vezzoni.

mulher tocando violino à luz da lua

Na hora sagrada.
Em que o dia transita para a noite.
Entre o limiar dos mundos.
Paira no ar o silêncio silencioso do Verbo.
Encanto. Magia. Preparação da vida.
O vermelho vem descendo em seu degrade alaranjado.
Colore nuvens esgarçadas até o doce tom do rosa.
O rosa do amor.
De repente... sem aviso antecipado,
O manto negro da noite envolve a Terra.
E, a Lua baila. Divina em sua carruagem
Percorrendo os caminhos do céu em busca dos corações apaixonados...
Apaixonados para além do amor entre casais.
Corações recheados do Amor Incondicional.
Na hora sagrada, tudo acontece. 
E o som que movimenta os ventos é o do violino.

Edna Vezzoni

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O lápis estava parado.

Deitado sobre o papel.
O papel reciclado em branco.
Não! Não é branco é cinza...
Cinza lembra coisas queimadas...
Como árvores tombadas pelas labaredas.
Línguas de fogo a expressar ardor.
A impetuosidade me traz a imagem das borboletas.
Nascidas do fogo-no-ar.
E assim, o lápis correu sobre o papel juntando as palavras para dar forma a mais este dia.

Edna Vezzoni

borboleta cor de laranja pousada em flores brancas
folha de couve

Uma estrada.
Quantas dobras e ranhuras,
Vielas e corredores.
Rugosidades... teias tecidas ao longo das urdiduras.
Caminhos e passos.
Emaranhados no tempo sem tempo.
Da velhice???
Não! Da tenra folha de alface.

Edna Vezzoni

Espiralava.
Rodopiava.
Elevando-se em direção ao alto do Altíssimo
Espaço sideral.
Subia em rolos perfumados.
Estalava, crepitava.
Gritava dentro do seu queimar.
Por fim se entregava até se consumir.
Fogo purificador nos galhos do Alecrim.

Edna Vezzoni

imagem de mulher feita de lava vulcânica com pôr do sol ao fundo

Queria falar... as palavras foram passear.
Queria escrever... a mão se recusou.
Queria sentir... veio tudo de uma vez.
Quis me livrar do que passou e muita coisa ficou.
Por hoje, é melhor ouvir.
Apenas a voz do silêncio.
Na contemplação da vida.

Edna Vezzoni

mulher vestida de branco, sentada de costas em pedra olhando o horizonte
fada sentada na lua em fase minguante tocando flauta

Fase.
Das faces.
Quando cresces és Menina.
Quando cheia és jovem.
Quando nova és Senhora.
Quando minguas és anciã.
Fases da Lua.
Das faces das marés.
Do côncavo e dos convexos.
Dos redemoinhos.
Das espirais.
Das sinapses.
Dos impulsos.
Das fases das faces da vida.

Edna Vezzoni

balanco amarrado em árvore de folhas vermelhas com lago ao fundo

Na hora sagrada.

No momento em que o dia encontra-se com a noite, tudo para.

Tudo é silêncio e magia...

As aves buscam abrigo. Pousam suavemente nos galhos das árvores e do fundo do quintal, sentada no balanço, observo a beleza da vida.

O balé das cores outonais a me remeter a outros tempos... 

A outras vidas. A outros mundos intercalados no mesmo tempo e espaço.

bottom of page