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Soberania, a Grande Mãe. [Texto 1]

           

        A mãe esteve esquecida. Por muitos e muitos séculos.

        Ela nunca se afastou de nós. Fomos nós quem a relegamos ao esquecimento. E mesmo no nosso esquecimento ela nos amparou. Como Grande Mãe, Abnegada e Compassiva.

 Nos momentos em que caiamos, ela nos dava a mão. Erguendo-nos do chão e nos carregando no colo nos momentos mais difíceis da nossa jornada. Quando sentíamos medo, era a sua voz quem nos encorajava. Quando o frio enregelava nossas almas doentes, em seu manto ela nos abrigava, e nos curava. Quando nos tornávamos embrutecidas, era ela quem nos suaviza.

        E mesmo assim, nós mulheres, que tínhamos o dever de manter a Grande Mãe em seu lugar de direito, a renegamos. Permitimos dentro das nossas fraquezas que o Patriarcado se impusesse. Aceitamos o jugo. Permitimos que o feminino fosse subjugado, castrado e dominado. O aspecto masculino passou a prevalecer. Com ele a degradação do planeta e o desequilíbrio humano.

        Esquecemos que Ela é o “Sagrado Feminino” presente em cada uma de nós. Permitimos que Ela fosse deportada para as regiões sombrias do exílio.

        A mãe sabia que um dia voltaria a fazer parte das nossas vidas. Ela tinha consciência do nosso re-despertar. Um dia suas filhas clamariam aos quatro cantos do mundo por sua presença. Porque a Deusa não é uma estrutura paralela ao Deus Pai. A Deusa é o Mundo e consequentemente a Mãe de Deus.

        Hoje a Deusa, ressurge como a fênix. Reassume dia a dia o seu lugar de direito. Voltamos a cultuá-la. E a cultuamos em tudo aquilo que existe de belo na natureza. Volvemos novamente nossos os olhos repletos de gratidão a essa que é a nossa Mãe, sem nos esquecermos da sua contraparte o Deus.

        É importante informar que o culto à Grande Mãe, ou Deusa Mãe, antecede todos os outros cultos de Deusas no antigo Egito e na Grécia.

        A sua origem é remota. Perde-se no tempo.  Deriva de uma cultura Matriarcal mais antiga.  Muito mais antiga. Seu culto foi iniciado por algumas mulheres pertencentes a determinados Clãs que ainda viviam nas cavernas. Muito antes de conhecermos as deusas por essa atual profusão de nomes.

        Ela é a “mãe” do Deus. Que por sua vez, é seu filho e seu amante.

        Como Mãe do Universo, seus poderes são os de uma Deusa Tríplice. Essa Deusa carrega em si as características de amante, mãe, nutridora, vingadora e consoladora. Jovem, senhora e anciã. Senhora que rege tudo o que existe na Vida e Morte. 

        Ao longo do giro da Roda da Vida, a Deusa vai assumindo determinados aspectos que nos fazem perceber os movimentos da vida passando. A evolução da Natureza, e a nossa própria transformação.

        Em cada uma das direções da Roda do Ano, nos deparamos com uma das faces da Deusa a nos impulsionar para uma nova tomada de consciência em nossas vidas.

 

        No Solstício do Outono, por volta do dia 30/04 onde o ciclo se encerra e reinicia através de Samhain, no mundo dos Celtas, Morrighan, a Rainha Negra, a Senhora da Magia. Viúva capaz de compreender o sofrimento humano — e mãe, por carregar em seu ventre escuro seu futuro filho, como semente de Luz, nos obriga a olhar para o Sol Poente, em busca dos mistérios interiores. Contemplamos os lagos do Oeste.

        No festival do fogo, celebramos o domínio das trevas.

        A Deusa do outono pode ser Hécate. Do panteão Grego. Senhora da lua minguante; Rainha da noite e da magia, guardiã dos caminhos e senhora da sabedoria. Guardiã das encruzilhadas da vida. Senhora do mundo subterrâneo e dos mortos.  

        O que importa é que no Solstício do Outono, a Deusa se manifesta como consoladora dos mortos, e provedora de uma nova vida. Sejam eles “seres” ou “sonhos”.

 

        A Deusa caminha e entra no Solstício do Inverno, chamado de Yule por volta do dia 21/06. Assistimos a Regeneração da Terra. O tempo de mudanças. E o nascimento da criança Divina.

A Deusa assume a plenitude de seu aspecto de Mãe.

        Nele, Cerridween enquanto Ventre do Tempo. — Senhora do caldeirão da sabedoria e da regeneração, nos obriga a olhar para o norte em busca da Luz nos Reinos Astrais. Resgatando os nossos sonhos e o desejo de “iniciar algo”.

(neste sabbat, especificamente falando, a Deusa concede força e poder ao seu filho).

A deusa do Inverno pode assumir as características das Moiras – Deusas gregas. As que tecem os destinos, determinando a vida e a morte dos homens, cortando o fio no momento certo. (como as tecelãs da vida da criança divina)

 

        Prosseguindo no ciclo da vida, a Deusa caminha para Imbolc. O Equinócio do Inverno, por volta de 31/07. Onde celebramos o aumento da Luz e a derrota do Inverno. E, Brighid a Deusa do Fogo, noiva do Sol, nos obriga a olhar para o Sudeste em busca da Purificação e do cumprir das Promessas que fizemos a nós mesmos ou aos outros. Ela nos incita a “enterrar” as agruras do inverno, trabalhando a limpeza e a purificação. Somente assim estaremos prontos para acender o fogo sagrado em nossos altares.

        Aqui, Deus e Deusa são jovens, cheios de energia e promessas, e a natureza e a vida desabrocha.

        A Deusa pode assumir os aspectos de Héstia. Deusa grega. Padroeira da lareira e da família. Guardiã do fogo sagrado.

        O importante é orar a deusa, solicitando a cura de nossos males. Formulando novos planos e novos projetos.

 

        No girar da roda da vida, a Deusa Dana caminha para o Equinócio da Primavera. Ostara, por volta do dia 21/09. E nós a seguimos em direção ao Leste. Onde as noites e os dias são iguais. O equinócio vernal festeja a ressurreição da luz, o aquecimento da terra, a germinação das sementes, o desabrochar da vegetação. A renovação da vida. O equilíbrio e a harmonia que devemos buscar em nós mesmos.

        É o noivado dos Deuses. Eles se encontram em total e perfeito equilíbrio. As energias da luz e das trevas, masculina e feminina são iguais.

        Dana, enquanto donzela abençoa e promove a fertilidade das plantas e da terra.

        A deusa pode assumir os aspetos de Flora – Deusa romana da primavera, das flores, da alegria e dos prazeres da juventude. Deusa das sementes, das flores e dos frutos. 

 

         Mais um giro na roda da vida, e, a Deusa caminha para o nordeste, de encontro ao Solstício da Primavera, Beltane, por volta de 31/10. Aqui, ela é a Deusa Blodeweed. ─ Senhora do amor.

        Estamos diante do Auge da vitalidade e vigor. Prontos para o Casamento Sagrado, no qual Deus e Deusa abençoam a fertilidade humana e animal. Neste solstício é tempo dos nossos desejos se casarem com o prazer.

        Nada impede que a Deusa assuma os aspectos de Afrodite – Deusa grega. Senhora do amor. Protetora das uniões legítimas. Padroeira do casamento.

 

        Um outro passo. A Deusa se volta para o norte e caminha para se transformar em Ariannhord no Solstício do Verão, e realizar Litha por volta de 21/12. Onde a deusa se encontra com o Ápice e o Declínio do Sol na noite mais curta e o dia mais longo do ano.

        Toda a natureza frutifica. A Deusa está grávida e o Deus começa a mudar sua face à medida que o sol se distancia e a luz enfraquece. Aqui somos convidados a encarar nossos medos, e a encontrar os meios que propiciem a regeneração.

        Ariannhord pode ser vista como Rhea. – A Deusa primal, a Grande Mãe Terra, criadora de todos os seres, deusa da vegetação e dos novos ciclos.  Filha de Gaia e Urano. Esposa de Cronos e mãe dos deuses gregos.

 

        Os passos da Deusa a levam agora em direção ao Noroeste em busca do Equinócio do Verão. A morte do Sol, o tempo da espera, a primeira colheita que vem de Lammas por volta do dia 02/02. Ela assume o nome de Aine.

Este é o tempo da avaliação das nossas colheitas. Incluindo os sucessos e os fracassos. E Aine nos aconselha a busca do “conhecimento”.

        “Deus e Deusa presidem sobre a colheita, mas ele se sacrifica, morrendo, quando os grãos são colhidos”.

        Nada impede que a deusa de Lammas seja vista como Ceres – Deusa romana da fertilidade da terra. Guardiã da agricultura e dos cereais, bem como de todos os frutos da terra. Protetora das mulheres, da maternidade e da vegetação.

 

        E a deusa caminha para o Oeste, indo de encontro ao Equinócio do Outono, para viver Mabom. Por volta de 21/03. Assumindo o nome de Cerridween.

        Luz e trevas em equilíbrio. Trevas avançando. Armazenamento do que se colheu. Caminhamos para o tempo da Aridez, ou escassez.

        A meta indicada pela deusa é o mergulho em busca da beleza interior.

        Tempo de agradecer todos os frutos, - os doces ou os amargos provenientes dos aprendizados, sem pedir nada nesta ocasião. O tema é a gratidão à Mãe Terra, a nutridora. Podemos demonstrar nossa gratidão à mãe através de orações, oferendas e rituais. Voltando nossos pensamentos para a cura do planeta.

        Tempo de recolhimento, introspecção e reavaliação pessoal.

        Aqui a deusa pode ser vista como Perséfone, Deusa Grega — A senhora do mundo Avernal. A consoladora dos mortos.  Rainha do mundo subterrâneo. Filha de Demeter e esposa de Hades. (Deusa, mãe das Fúrias).

 

        Assim a roda da vida gira. A Deusa é uma e mil deusas ao mesmo tempo.

        Podemos vê-la em muitas faces:

        Como Gaia, ela é o ser primordial, a criadora da vida.

        Enquanto Luna, ela é a Deusa Romana. — Reguladora dos meses e das estações do ano.

        Como Yemanjá, ela é a Deusa ioruba. — Senhora do mar e da lua. Protetora das mulheres e das crianças.

        Como Sekmet, ela é a Deusa Leoa. — A grande devoradora e curadora da essência da vida correndo nas veias dos homens. O sangue.

        Como Deusa da vingança ela é Morrighan. — Em seu aspecto de senhora das fontes da vida a oeste.

        Como Rhiannon ela é a Deusa dos encantamentos. — Senhora das cantigas dos pássaros das asas negras do Leste.

        Enquanto Isis, a mãe egípcia. — Ela é a grande feiticeira, a que tece os encantamentos.  A que nos confere o poder do verbo. Senhora do céu, da terra, da lua, da vida e da morte.

        Como Ariadne, ela é a que fia as estrelas da criação entre os mundos solar e lunar.

        Enquanto Bastit, ela é a deusa gata da sedução. — Em seu aspecto de Senhora onde mescla-se com Afrodite da                  Sensualidade e Perséfone, Rainha do amor implícito na morte.

        Como deusa da cura e da iluminação ela é Isis, Brigth e Astart.

        E assim prosseguiremos ligando todas as Deusas em uma só Deusa.

        Enquanto o Deus Cornudo é aquele que abre os portões da vida e da morte, o masculino, o aspecto ativo da natureza. O Deus do submundo.

        Esta é a forma mais antiga do Deus que o planeta Terra possuí.

        A contraparte feminina do Deus Cornudo, é a Deusa da Lua. A mais antiga da terra, é a Mãe primordial que tudo cria. O lado passivo e feminino da Natureza como Deusa do nascimento.

        Em beltane, ela se veste de sensualidade e é então Bastit, a Deusa Gata do erotismo.

        Perséfone, senhora dos encantos que seduz Hades – O Senhor da escuridão.

        Ariannhord, a Deusa Lua. Aquela que seduz o senhor das matas verdes.

        E desde o princípio das Eras; quem seduziu a quem?

 

        Breve mito celta de Beltane:

        Em Beltane, o homem deus, busca na mulher deusa o seu complemento físico e divino.

        A Deusa, saí à procura do caçador em cada portal do reino. Rejeita alguns, aceita outros, porém, apenas um deles é o seu escolhido.

        Ela então se transforma no cervo branco, que só se deixa ser pego pelo “verdadeiro” candidato a Campeão da Terra. O que foi escolhido pela Deusa por sua perfeição física e moral, e com habilidades para ser o rei, o Guardião da Terra, a Deusa Soberania.

        A cabeça do cervo branco é entregue à Deusa, que o recompensa tornando-se sua esposa, e para que a terra se mantenha em equilíbrio e a vida germine, a Deusa Soberania deverá ser fecundada pelo campeão escolhido por ela, na cama de flores, de onde a vida emerge. Sempre.

Quem são as bruxas???   [Texto 2]

 

       

        Em tempos passados, na época da Santa “Santíssima” Inquisição, as bruxas ou feiticeiras eram mulheres comuns, (como eu e você) que detinham o conhecimento do poder das ervas e das pedras. Detentoras dos segredos da natureza.
        Eram mulheres extremamente sensitivas e intuitivas.
        Somando às suas outras tarefas, que não eram poucas, tampouco facilitadas pela nossa modernidade ainda assumiam, orgulhosas, os fardos de serem as curandeiras, parteiras e carpideiras.
         Trabalhavam com a morte e o nascimento. Substituíam os médicos, praticamente inexistentes nas aldeias. Tanto do hemisfério Norte, quanto do hemisfério Sul.
         Essas mulheres simples cultuavam a Mãe Natureza (Terra), da qual retiravam o sustento do dia a dia.

Eram elas também, que mantinham a tradição familiar, bem como eram as transmissoras do conhecimento, passado de boca a ouvido, uma vez que, naquela época, praticamente não existia a escrita. Como hoje. Internet então! Nem pensar.
         Valha-me Deus! Que bicho mais esquisito seria este do qual nos valemos hoje, naqueles tempos?
         Pois bem, retomando o passado.
         Essas mulheres eram livres e praticavam o culto pagão de Reverência ao Grande Deus Galhudo, o senhor da Matas Virgens. Esse Deus Galhudo era a imagem do Pai que sustenta a sua tribo. Era visto normalmente no homem mais jovem e forte, que na época de Beltane (sabbat celebrado no hemisfério Norte no final de maio e no hemisfério Sul entre 30/10 a 01/11), conseguia caçar o Gamo-rei, o maior deles e, após abatê-lo para sustentar a tribo, ornamentava a sua cabeça com a galhada do mesmo.

         Vieram então os padres católicos e, na ânsia de manter o controle e o poder, totalmente fanatizados, sofrendo da "loucura religiosa", passaram a disseminar a maldade. Induziram os homens crédulos a ver esse Deus Galhudo como à imagem de Satanás (criado e sustentado pela igreja católica, mas tenho certeza de que o Mestre Jesus não tem nada a ver com isso).
         O senhor das Matas Virgens virou o "mal". “Esses padres deturparam toda a pureza destas festas e, inconformados com o poder que essas mulheres exerciam sobre as aldeias, instituíram a era do Poder Patrilinear e a “Santa, Santíssima Inquisição”, assinada não por Deus, passou a barbarizar”.
         Qualquer mulher ou homem que não fosse temente ao "Deus Único" dos católicos e que insistisse nos cultos pagãos de adoração à Mãe Natureza ou que soubesse rezas para dor de dente, quebranto, mal olhado, que fosse parteira ou que cantasse a beleza do Sol nascente e a Magnitude da Lua surgindo no céu por detrás das galhadas das árvores, era considerado bruxo ou bruxa. "Como se todos os afogados não boiassem" e, portanto, sem o direito de serem enterrados em Campo Santo. (como se pudesse existir um único pedaço de terra que não pertencesse à Divindade Maior!). Santa Ignorância!

         Assim, após esse negro período da história, quem são as bruxas e feiticeiras de hoje???

         Todas nós mulheres que lutamos por um mundo mais justo, aonde o alimento chegue à mesa de todas as pessoas; que lutamos para que haja um nivelamento social.   Para que nenhuma criança chore de sede e fome. Que nenhum velho seja abandonado em um banco de praça. Para que os direitos de cidadania sejam respeitados.
         Para que o Ar e a Água sejam despoluídos. Para que os pássaros voem livres, e tenham sempre, uma árvore na qual se abrigar.
         Bruxas somos, todas, nós mulheres, que vislumbramos muito distante, no fim do horizonte, o dia em que na Terra, todos os povos viverão em paz, por terem compreendido que somos todos irmãos; oriundos do mesmo Pai e da mesma Mãe e que todos os caminhos, sem exceção levam à mesma fonte. A fonte da Luz Maior da Criação.
        Todas nós mulheres, que reverenciamos a alegria da Vida. A dádiva suprema de termos nascido Mulheres, geradoras de nossos amados Homens.
        Todas nós que rezamos pelo despertar das consciências embrutecidas.
        Assim como Maria não é apenas a mãe de Jesus. Ela é a Mãe de Deus.

Bruxas somos, todas, nós mulheres que na alegria ou na dor, nos voltamos para a Grande Mãe sempre em gratidão.

Todas nós mulheres, de carne e osso, que ousamos pedir à Deusa que nos “transforme” à sua imagem e semelhança, para que nossas vidas não sejam vividas em vão.

“Ave do Mar estrela”.

Bendita Mãe de Deus.

Ao cego iluminai. Ao réu, livrai também.

De todo o mal, guardai-nos senhora.

“E dai-nos todo o bem”.

Possa a paz de a Deusa Mãe estar em vossos corações!

 Pagão vem do latim, “pagunus” e significa habitante do interior.

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Evolução Feminina  [Texto 3]

         

 

 

           Nos primórdios dos tempos, éramos nós, as mulheres, quem detínhamos o Poder.

Vivíamos então a era matriarcal.

          O Homem em seu aspecto masculino era Respeitado, porém, submetido a nós, mulheres, "Livres e Indomadas". Respeitadas. E porque não dizer; Temidas!

          Com o passar das eras, o Homem descobriu que sem ele, nós, as mulheres, não procriávamos... Ele se rebelou e os valores começaram a se inverter.

           Descobrindo a sua Força Bruta ele, o homem, percebeu que podia “dominar” o Sexo Frágil, nós. Nós as mulheres. E assim o fez.

          Deu-se então na Antiga Grécia, o início da Era Patriarcal, onde tudo quanto era Circular passou a ser Linear.

          Houve então a negação do “intuitivo”, do “perceptivo” em detrimento da Razão. Fria e Lógica. Como dois mais dois são quatro.

          E, com o advento do cristianismo, a mulher, passou a ser vista pela mente doentia de alguns homens, como um ser “inferior” na escala da evolução.

         Como um ser “tentador” que levava o homem, ou seja, o macho, a cometer os pecados da carne.

         Eles, esses machos doentes, negaram até mesmo que nós mulheres, pudéssemos ter uma “Alma” ... Passamos a ser completamente, subjugadas, oprimidas, castradas, violentadas...

         Era após era, estamos “lutando” para que nossa voz seja ouvida.

         Já abrimos muitas portas e janelas. Escalamos grandes alturas. Muito ainda resta por conquistarmos no resgate de nosso Feminino.

         No entanto é preciso que tomemos cuidado para que não “incorramos” no mesmo erro de nossos Homens (machos), perdendo de vista o propósito da nossa evolução feminina. Libertar-se. Reconquistar o que é nosso de direito. Sem, contudo, reprimirmos os direitos dos Homens.

         Nós mulheres, devemos, a cada novo dia fazer uso de nossa herança ancestral, a Sensibilidade e com ela compreendermos que sem o homem não existe a mulher e sem a mulher não existe o homem.

        Ao homem devemos devolver o que lhe pertence: — A Força da Criação.

        A nós, mulheres, o homem deve devolver o que nos pertence: — O Poder da Criação.

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O que é feitiçaria??? [Texto 4] 

   (Preâmbulo).

 

         A "feitiçaria" é a arte da Antiga Tradição que nos leva ao re-despertar dos deuses, em nosso interior.
        Com a Magia da "feitiçaria" readquirimos a fé, ou seja, a crença em nós mesmos. Redescobrimos o nosso poder. O poder de transcender os pequenos limites de meros seres humanos.

        Tornamo-nos deuses capazes de gerar e criar. E ao gerar e criar, nos torna plenamente responsáveis pela nossa obra.

        O que iremos criar depende única e exclusivamente do nosso estado de consciência.

        O que iremos colher depende do que foi por nós depositado nos sulcos da terra.

        Se, somos responsáveis por nossa criação, já que o mundo no qual vivemos é fruto dos nossos clichês astrais, então jamais poderemos culpar aos outros pelo que nos acontece...

        Afinal, somos nós que geramos o que nos ocorre e, compete tão somente a cada um de nós decidirmos até que ponto algo irá nos atingir, mantendo sempre a consciência de que a semente depositada na terra irá germinar tornar-se uma árvore frutífera. E isto é muito importante. Deve ser muito bem gravado em nossas memórias. “O fruto nunca caí muito longe da árvore que o gerou”.

        A verdadeira Magia não é, com certeza, um produto a ser adquirido nas prateleiras dos supermercados, mesmo porque, você não pode comprar a “transformação de si mesmo”.

        Isso, ou seja, a transformação só é possível através de um longo e árduo trabalho em percorrer as veredas secretas do autoconhecimento através do qual os poderes inerentes a cada um são despertados. E, os caminhos vislumbrados.

Caminhos estes que nos levam, muitas vezes, de forma sofrida, ao encontro da simplicidade da vida, na qual reside a Verdadeira magia.

        O portal chamado Magia.

        A magia é uma porta para este fantástico mundo simultaneamente real e irreal. Uma chave para se liberar, desvinculados das correntes da existência material, sobre o admirável universo que deu origem a todas as coisas. Então, a Magia se torna Tradição, e Tradição significa volta a verdade. Além do intelecto raciocinante, das crenças, dos sentimentos e de tudo o que hoje nos é impingido como cultura, ciência, religiões à mercê das seculares tentações, existe um conhecimento superior.

        E, é em direção à Luz Maior da Criação que todo Feiticeiro ou Feiticeira, Mago ou Bruxa, (o rotulo não é importante) deve seguir. Sempre munido do amor e do respeito por si mesmo e por tudo quanto é chamado de “Vida” na galáxia por nós habitada.

(de forma alguma o assunto está esgotado!).

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Uma palavra sobre Esoterismo! [Texto 5]

 

              

 

        Afinal, o que é esoterismo?

        — É o estudo do conjunto das Leis Universais.

        Trata-se de um conhecimento objetivo que ultrapassa todo o conhecimento humano comum e que, pertencendo a alguém, é inacessível às pessoas em geral. Portanto, é um conhecimento reservado e transmitido de boca a ouvido, de mestre para discípulo, como a Cabala, por exemplo.

        Ainda que existam livros sobre a Cabala, você necessita ter a “chave” para desvendar o conhecimento mantido oculto nas entrelinhas dos textos. - E a chave só lhe é dada por outro que conhece o segredo e sabe como abrir a porta momentaneamente fechada, ou seja, mantido sob mistério.

        Qual é a diferença entre “Esoterismo” e “Exoterismo”?

        O Esotérico (enquanto indivíduo) é responsável pela aquisição e passagem de conhecimento objetivo através da Iniciação, de forma Velada. Ele conhece todas as formas de religião, e as respeita, posto que “entende” o simbolismo por trás dos rituais e o grau de evolução de cada ser humano. Mas nem por isso, ele, o conhecedor destes mistérios é melhor do que aquele que nada ou pouco sabe a esse respeito.

        Já o Exoterismo é um conhecimento aberto, transmitido a todos, de forma geral, como por exemplo, nas missas, casamentos, rituais de umbanda, cultos etc.

        No entanto, por trás de todas essas cerimônias, há um conhecimento oculto e que não é revelado aos fiéis pelo Sacerdote ou Oficiante, mas que se encontra guardado em toda simbologia do ritual. (Simbologia esta, em que muitas vezes, nem mesmo o Oficiante a conhece por completo). 

        O Ocultismo é o estudo dos fenômenos e das forças para os quais as Leis Naturais (segundo a visão da ciência dos homens) ainda não deram explicação palpável. Trata-se de um conjunto de sistemas filosóficos baseados em conhecimentos secretos, mais especificamente ligado às várias práticas mágicas, ao espiritualismo e ao transcendente. E é um Ocultista todo aquele que se dedica ao estudo dessas leis.

        O Misticismo é a comunicação entre os Deuses e os homens. — E os Deuses não são palpáveis, mas sim abstratos e não codificáveis pelos homens da ciência terrestre. — E como a palavra que quer dizer místico, literalmente significa misto, misturado, ou seja, faz parte de uma miscelânea, é normal e natural que ele (o misticismo) acabe por abranger muitas formas de expressão, entre elas, o Oráculo.

        Todo oráculo provém de um conhecimento objetivo e reservado.                          

        O oráculo é ainda, um instrumento de ligação entre o mundo visível e o invisível, abrindo as portas do assim chamado Plano Astral. Daí ser chamado de a “Voz dos Deuses”.

        Várias são as formas de se contatar o mundo abstrato e acessar os Registros Akáshicos (registros coletivos de memórias passadas, desta existência e das futuras), trazendo para a realidade física aquilo que é chamado de adivinhação, presságios, augúrios etc.

        No entanto, nem todo “intérprete” de oráculos é um esotérico ou profundo conhecedor das Leis Universais, o que permite a proliferação de falsos profetas e charlatães nesse meio Místico.

Meio este no qual vem ocorrendo cada vez mais e mais uma “Mistificação” daquilo que deveria ser “Sagrado” e jamais “Profanado”.

        Entendo como “Sagrado” entre muitas outras coisas, o momento em que uma pessoa, “crédula e fragilizada”, por determinadas circunstâncias da vida, (o que para você pode parecer uma bobagem, é muito sério para aquele que está vivendo a situação) busca Aquilo que ela Acredita ser um Profissional (que está sendo pago para isto, e nem deveria ser de outra forma, uma vez que todos precisamos sobreviver) pede ao Oráculo uma direção: — O que esperar? O que fazer? Para onde ir ou não ir?                                                                                              

        E, quando o intérprete deste oráculo, perspicaz, sagaz, como se ave de rapina fosse, se aproveita da sua ferramenta, (sagrada, abençoada) para amedrontar esta pessoa com falsas suposições, e superstições, consciente do seu sórdido propósito, o de extorquir o que a pessoa pode e o que ela não pode pagar também, para “livrá-la” de algo que não existe. Basta dizer que se você é uma pessoa MUITO INVEJADA, isto tem uma única fonte de origem. A INVEJA está dentro de você.

        Este é o papel do verdadeiro esotérico/ místico ou ocultista, evoluir através do autoconhecimento e auxiliar a evolução daqueles que com ele interagem direta ou indiretamente.

 

        Possa a Paz de a Deusa estar em vossos corações.     

Primeiro Passo: [Texto 6]

 

        "O conhecimento de nada serve se não for compartilhado com aquele que tem sede de Saber".

        Como tudo na vida, o "despertar" para o Universo Mágico também exige uma boa estrutura. E só poderemos dizer que formamos em nós mesmos uma sólida base, quando sem falsos pudores, formos humildes o bastante para admitirmos a nós mesmos que na caminhada da vida, estamos sempre dando os primeiros passos.
        Nossa base só será de fato sólida quando admitirmos que por mais que aprendamos nada sabemos perante a enormidade que ainda há por ser desvelada.
        - E afinal, o que é o despertar para o Universo Mágico? Você pode indagar, com razão e com todo o direito.
        Esse despertar principia quando você se conscientiza de que não é apenas um corpo de carne. Que a vida não pode se restringir a nascer, crescer, envelhecer e morrer...
        Quando essas indagações começam a se agitar em seu íntimo, elas se transformam em ondas. Exatamente como as ondas do mar em seu fluxo e refluxo.

        São elas, as ondas internas de seus questionamentos que o levam a buscar as respostas que você a princípio acredita estarem soltas no Universo. Em algum lugar distante. Ocultas. Encerradas em livros secretos. Detidas por altos dignitários. Pelos Hierofantes. Sacerdotes. Pastores ou Druidas. Sempre por "alguém muito especial". Mas nunca, de forma alguma, com você mesmo. E o fato de buscar o transforma em um Inquiridor.
        Enquanto Inquiridor/Buscador você chegou até aqui.
        Vamos então iniciar nossa jornada do Despertar da Consciência.
        Para tanto é necessário que você esteja disposto a reformular seus conceitos. A rever sua conduta. Seus paradigmas.
Antes de entrarmos com todas as informações sobre os "seres" do Universo Mágico, compreendido por deuses, deusas, pelos cinco elementos da natureza que são o fogo, a água, a terra, o ar, e o éter, pelos elementais em suas mais variadas formas de expressão tais como elfos, fadas, dríades, duendes, gnomos, ondinas, salamandras e etc., pelas cores, números, símbolos, velas, anjos, altares, objetos mágicos, rituais, orações, equinócios e solstícios, sabbats, e etc., vamos dar o primeiro passo no sentido do autoconhecimento, que engloba as Leis Universais contidas nos Arcanos, que literalmente quer dizer "Mistérios".
        O termo Arcano abrange a ciência teórica sobre qualquer atividade prática em um certo campo.
        1° Mistério a ser desvelado, ou seja, 1° Arcano.
        O Mago: - Para se transformar em um verdadeiro Mago, antes você terá de traçar uma rota. Definir um propósito. Lutar para concretizar um objetivo. Trabalhar a constância. Desenvolver uma de suas habilidades. Aquela que é nata em você. Trabalhar sua força de vontade. Compreender que embora Uno, você é uma parte do "Todo" e que tudo que você fizer repercutirá no mundo ao seu redor. Portanto você terá de enfrentar seus medos, suas limitações, seus aspectos negativos. Você terá de adquirir a conduta de um Homem que domina a si mesmo, libertando-se de tudo que atrasa a sua evolução e passar a alimentar sua alma com boas imagens e boas ações, refutando firmemente tudo o que for denso, pesado, sombrio, mórbido. Terá de trabalhar a posse, o ciúmes, a inveja, a maledicência, a arrogância, a prepotência e por aí afora. Tomando consciência de que você é humano e que, portanto, possuí todos esses aspectos negativos. Ao tomar consciência dos seus defeitos, você deverá buscar transmutar as características negativas por qualidades positivas, ou ao menos manter a fera que habita o seu interior com punhos de ferro.

        1° tarefa. Procure um lago. Carregue consigo uma pequena pedra. Sente-se diante do lago. Inspire e expire calmamente. Observe as águas por um longo tempo. Quando sentir que foi o bastante jogue a pedrinha na água e observe a formação das ondas.
        Depois me responda:
        - Qual foi a sua compreensão desta tarefa? A que conclusão chegou?

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